me encontre na casa das estrelas

Nos seus olhos eu encontrei o horizonte, mas não sabia se os meus refletiam os mesmos tons de infinito. Os primeiros tons do dia ainda não são tão suaves quanto o toque de suas mãos, quanto o perfume em seu cabelo. Eis que me encontro sem saída do paraíso, pois não consigo encontrar como eu poderia lhe prender e a deixo voar. Quando voltar, me encontre na casa das estrelas, na esquina de onde o infinito vira e vai direto pro orgão pulsante que ainda acredito ser meu. Se voltar, veja o reflexo do horizonte.

posted 4 weeks ago with 3 notes

despedida

“Não sou boa para despedidas”. O abraço desajeitado, o sorriso que não queria sorrir, as lágrimas que ficam presas na alma. A vontade de ter outras lembranças, de ter mudado os pontos finais de lugar, de ter criado outro significado. Mas lá está, a despedida, o caminho que inevitavelmente deve se percorrer. Não há nada mais a se fazer além de dizer adeus.

Não adiantava mais guardar algo que já estava morto. Não havia como crescer e ser algo além. Eis que é realizada a despedida, como já fora ensaiada um milhão de vezes em frente ao espelho. Era hora de se renovar.

Adeus.

(minha despedida dramática para o meu cabelo)

posted 1 month ago with 4 notes

Eu componho e recomponho, sem intenção alguma de ser poeta. Se havia um único desejo nos meus dedos afoitos era de que as palavras passassem despercebidas nos caminhos alheios, como apenas parte de um todo. As palavras deveriam sussurrar as coisas que querem ser ditas, sendo inconsequentes ou não. Pela manhã, despirei todas as linhas deste texto para sentir a essência de quem eu fui no dia anterior. Pela manhã, ainda vou ser infinitamente descuidada e apaixonada pelas palavras.

posted 1 month ago with 2 notes

cartas de tarô (amassadas)

Sentia o vazio crescer do meu lado. Como alternativa, a cartomante seria meu turning-point, elemento capaz de dividir isso agora e a felicidade. Quem escreve sobre cartomantes e respostas entende o que eu sou neste momento. As três cartas dispostas na mesa sabiam mais de mim do que qualquer outra pessoa, ou era isso que alegavam.

A primeira carta virada era quem eu fui e significava não ser mais nada disso. A maresia havia mudado minha alma de forma e tom. A segunda carta virada é quem sou eu. Sem direção e sem compromisso, sem pé nem cabeça, sem qualquer coisa para me apegar. As coisas que sou vou ao pouquinho soltando pelo caminho de João e Maria com esperança de que me encontrem por aí. A terceira carta seria quem serei, mas esta carta a vontade de ver o futuro ser contruído (e uma pitada de medo) me impede de virar.

Mas, para fim de tudo, ainda era a mesma. Meu turning-point era o coração que batia num ritmo diferente.

posted 1 month ago with 2 notes

bilhetes casualmente largados na escrivaninha (para Helena)

Querida Helena,

Ainda estou com a sua chave. Me avise quando poderei devolvê-la.

Querida Helena,

Hoje eu entrei no seu quarto (ainda estou com a sua chave). Estava impregnado com o cheiro de cigarro. Mesmo eu tendo pedido para você parar de fumar.

Querida Helena,

Hoje te odeio como nunca. Espero que isso passe.

Querida Helena,

Eu te amo.

Querida Helena,

(um conjunto de palavras riscadas e tinta borrada)

Querida Helena,

Você nunca atende o telefone.

Querida Helena,

Eu sinto sua falta. Você trocou a chave do seu apartamento.

Querida Helena,

Fico triste com a decisão que tomou. Na verdade o exato conceito de tristeza não se encaixaria em mim. Eu sinto raiva. Hoje te odeio como nunca de novo.

Querida Helena,

Hoje entrei no seu quarto de novo. Sob a luz fraca do abajur, vasculhei o ambiente a procura de algo. Qualquer outra coisa que não fosse seu corpo ensangüentado na cama. Não, eu não fugi, apesar da faca em minhas mãos conter seu sangue. Perguntava-me se eu evitasse olhar para você morta faria com que fosse mais fácil esquecê-la. Evitei pensar em seu sorriso, suas mãos que estavam frias mesmo quando estava muito quente, seu gosto por filmes violentos. Quem disse que tudo acabaria como em um desses filmes, não é? Essa é minha última visita, prometo.

posted 2 months ago with 4 notes

escapism

Não encontro mais as lágrimas que chorei, mas não sinto isso como um bom sinal. Dentro de mim, a eterna sensação de estar incompleta e quebrada. Meus dedos se enrolam no tear invísivel das tramas da vida, sem realmente envolverem-se e agarrem-se a algo. O vazio dentro de mim aumenta até me engolir, logo desapareço e sou mera lembrança ou vulto. Quem me buscaria neste caos?

Lembranças doloridas me perturbam noite após noite, sem que eu consiga me ater a elas. Não consigo que eles simplesmente voem para longe. Fecho meus olhos e vejo as imagens reproduzirem-se rapidamente. Morro a cada noite que passa, para acordar pela manhã com os ossos latejando de vida. Definho pouco a pouco, mas ainda vivo.

Os gritos nas paredes me trancam dentro de mim mesma. Cada segundo que passo entre essas quatro paredes me sufocam. O ar falta e a água enche meus pulmões. Não morro pois não sou mais humana, sou a água-viva a deriva novamente. Perco meu rumo, direção, perco quem eu sou. E para onde eu iria? E para onde eu irei?

posted 3 months ago with 1 note

abandon

Desintegro as cores do pôr-do-sol em minha mente enquanto lentamente fecho meus olhos. O vento que brinca com meus cabelos me sussurra histórias que não são minhas. A vida me deixou com a sensação de que tudo é passageiro, efêmero. Tento, em vão, eternizar os momentos em fotos e textos, mas as cores desbotadas e os trechos dos quais me esqueci o significado fazem meus momentos se perderem. As histórias alheias trazidas pelo vento também são assim. Cheias de trechos desconexos e imagens indecifráveis, mas quem não é assim? Ao meu redor, a confusão da vida alheia é tão semelhante a minha que sinto que sou o mundo todo. E as cores do pôr-do-sol se espalham pela tela, colorindo o meu amanhã incerto. É tudo mesmo passageiro, pois a vida é uma viagem de trem.

posted 3 months ago with 4 notes

180 dias

Se é verdade que são necessários

6 meses para curar uma dor de amor,

para onde vou agora?

Sou livre para voar,

mas até onde vai o meu vôo?

Meu pensamentos rodopiam,

rodopiam e não chegam a conclusão alguma. 

Eis que me sou por completo,

assim incompleta.

“Para onde você vai, Bird?

Você sabe que não pode voar.”

Quantas léguas tenho que percorrer

até lhe encontrar neste mundo limitado?

posted 4 months ago

o que falta

Li uma vez um texto sobre felicidade. Ele falava sobre a diferença entre estar triste e ser infeliz, porém nele não encontrei nenhuma definição de felicidade. Na época, em ocasiões conturbadas demais para uma garota de 17 anos, não consegui me encaixar no grupo de pessoas que são felizes e o texto me fez parecer permanentemente errada. Até hoje, quando me pego pensando neste texto, já vou traçando um ou dois bons argumentos para me sentir um pouco melhor. Poderia discutí-lo com a autora, mas não sei até onde minha realidade condiz com a dela.

Hoje em dia, evito ter este tipo de pensamento. Discordo de conceitos de felicidade porque só senti euforia. Sou uma criança birrenta que diz não gostar de brocólis e nunca o provou. Discordo da existência de algo chamado “amor” porque nunca o senti. Sou cinestésica demais para dizer que algo existe sem tocá-lo, senti-lo e digeri-lo.


No fim, sou a criatura mais imatura que conheço. Conceitos simples que crianças pequenas conseguem definir são uma enorme e pesada dificuldade para mim. Fui me arrastando pelo tempo com medo da vida e até agora nada sei dela. Pelo número de coisas que conheço em 19 anos de idade, sou uma retardatária da vida. Falta-me inspirição.

E por alguns momentos, queria ser menos descrente nas pessoas, na vida. Queria acreditar em algo com todas as minhas forças. Queria ter algo que me inspirasse infinitamente a seguir em frente. Seja lá como isso seja. Muito provavelmente, só estou querendo mesmo estar envolvida em uma grande treta.

(stalkers, este é o momento de vocês, um texto 100% sobre mim, sem firulas)

posted 4 months ago with 3 notes

desca(n)so

Suas pálpebras pesavam, mas recusava-se a descansar em um local como aquele. Aquele cenário não lhe pertencia. O pôr-do-sol forçado, com seus mil tons de irrealidade. A árvore onde se encostava possuia um conforto que nenhuma outra jamais teria. Ela, naquele dia, resolvera descansar em seus sonhos e em sua falta de lógica. Pois a lógica era dura, perversa. A lógica por vezes chegava a lhe mostrar fatos que poderiam muito bem ser escondidos com uma fina camada de tinta de sua imaginação. E foi assim que fez, desenhou por cima de suas mágoas todas as coisas que o mundo poderia ser e assim o mundo era o que ela quisesse. Escreveu por cima dos livros alheios seus próprios desfechos. Viveria naquele desca(n)so, mas morreria também nele?

posted 5 months ago with 3 notes

escritor alcoolátra, morte e namoros
  • (anon): Você fala muito sobre morte, suícidio, sufocamento e afins nos seus textos.
  • Eu: E aí?
  • (anon): Às vezes me assusta que você goste desse tipo de idéia.
  • Eu: É que quando você já paquerou, cortejou e namorou uma idéia, mesmo quando vocês rompem ela continua vindo lhe dizer um olá de vez em quando. Só pra verificar se está tudo certo depois que terminaram. A paixão volta por um segundo.
  • (anon): Pequena, você é dramática como um escritor alcoolátra.
  • Eu: É um dos personagens que gosto de ser.
posted 5 months ago with 5 notes

"I just don’t know what to do with myself
I don’t know what to do with myself
Movies only make me sad
Parties make me feel as bad"
— I Just Don’t Know What to Do With Myself - The White Stripes
posted 5 months ago with 3 notes

egocentrismo suicida

Gostava de me colocar como personagem central. Aquele que vive momento incríveis, por quem você chora e se descabela até o seu gran finale, onde tudo finalmente dá certo (ou ao contrário) para o dito cujo. A câmera foca em suas ações. Lá está ele, vencendo seja lá qual for seu desafio.

Porém, a reviravolta da vida: era mero personagem periférico. O personagem que ao acaso diz o seu nome no livro em alguma cena, participa de certas ações e só é mencionado lá no finalzinho, acenando a cabeça para o protagonista quando as coisas se resolvem. Do personagem periférico se sabe o nome, alguns trechos de sua história. Mas o escritor não lhe escreve um final. Ao personagem periférico é fadado a dias vazios. O personagem perférico apenas serve de degrau para o protagonista. Após ser pisado por ele, cai em um abismo de esquecimento.

Ninguém ama os personagens secundários. 

posted 5 months ago with 2 notes

os olhos

Olhos, os malditos olhos. Dizem que são a porta para a alma humana. Vejo os olhos como uma provocação. Como uma armadilha. Uma simples troca de olhares, mil e uma interpretações são formadas. Um destino, uma ilusão, um novo amor, uma velha decepção. Tudo isso é encontrado através dos olhos. Os olhos são poderosos demais. O olhar é a pior das dores. O olhar é a melhor das sensações. 

Os seus olhos são o próprio precipício. 

posted 5 months ago with 3 notes

porque não escrever poemas

Não escrevia mais poemas, porque os poemas tornaram-se grandes demais para ela. Era ínfimo grão de areia na praia esperando que o mar a levasse para um lugar novo. Os poemas eram as largas pegadas na areia. Profundas e ainda sim passageiras. E isso não quer dizer que não havia poesia, pois poesia em tudo há. E enquanto ela puder ser, poesia ela será. 

posted 5 months ago with 2 notes