cut-up good thoughts

Decidissem se tornar externos. Caneta. Ele, pela não-culpa, feriu com palavras a exatidão do pensamento. O espelho e aquela garota idiota, nas minhas juntas pela força complicada de se usar, se faz valer. É de, quando confrontada, externar e querer quebrar os pratos, os copos, esfaqueando até a última poesia, mas que minhas cicatrizes - as diversas partes - porque os erros nunca são consultados. Apenas existente. De pensamentos bons mas está vazia, mas não é o caso dos pensamentos ruins. Nas páginas maltratadas por nossos momentos de crime, nenhum fez o favor de se tornar um pensamento alegre que pôs fim ao ponto-e-vírgula, aquele bicho líquido sob a rasura no qual - que ironia - eu não fui derramado. E algum do futuro pretensamente real, esbranquiçado, um conectar nada, sem sentir nada do ontem. Desfiguração externa e uma página inteira para encher de “convidada ou permitida em”. Eu devo estar fazendo uma festa por ter parado de sentir. Me faz tremer e os dedos, o objeto não-culpado, são uns malditos; embora ela poderia ficar vazia para as manchas ou coisa que o valha. Daí interna. A ironia faz com que todos coloquem um ponto final na frase. O “a pouco”. É uma agonia, mas um agridoce espoir. Alucinação, com páginas disse, comprimindo com força entre alma dentro de mim. A página de “esperei uma hora fitando a página” me infligia. As cicatrizes são sempre, é difícil capturar nas vindas do eu de hoje arrepende-se de não ter (nossa, de quem é essa história) uma lista, que me faz sentir algo (está no fundo do armário). Nunca folheado. Hoje calcula o tempo - dos 16 aos (mas o que realmente me causa gasto deixamo-no religiosamente ao minha mente). Elas, as malditas, embora já gastas pelo tempo. Neles, já me suicidei incontáveis vezes, é apenas um caderno velho que.. Algo me segura aqui - a raiva começa a me preencher pouco alegrias que povoam o local ermo da sentimento esquisito que eu tinha de melhora, pois é algo a mais;

- Toda desconexa?, me pergunto sem estupidez eu mesma devaneante para o eu de ontem. O eu veio de outra pessoa, dividindo entre apesar e ritual (em certos momentos ele vem aleatoriamente). Preocupação é que a saga de livros de pensamentos bons ainda está vazia. Montanha estranha na planície - me reconhecer. Da desfiguração (vejam o quanto eu mudei por dentro), uma maldita lista. É a porra de parar nas minhas mãos. Mas, sinto crescer dentro de mim um reflexo dele. deve ser um ponto da eternidade.

- dos 19 até agora eu estive enrugada, por em algum momento dos meus 18 anos - mas não consegue transformar em tinta, em forma, em lembranças. O passado, para mim, vem o desespero. Da incapacidade de existir.

A página de “não ser as angústias que eu mesma fiz brotar”: algo estranho, treme o alívio. Assim segue a lista.

- Empregara.

Daí vieram os 16 aos 18 anos: eu vivi sem fronteiras, o eu de hoje estará sempre invisível.

texto gerado por uma cut-up machine a partir deste texto, corrigido por mim. o pior de tudo é que ele faz um pouco de sentido?

posted 2 days ago

tags: suicide comtemplation

A sociedade nos trás um aspecto interessante: a idolatração de um modelo onde somos completos e quebrados, procurando por outras existências quebradas e repartidas para finalmente tornar-se uma coisa. Pois sem estas existências complementares, você é permanentemente algo em manutenção e construção. Pegue os seus pedaços no chão e monte um quebra-cabeça com os pedaços alheios, até ver que as peças não se encaixam (e nem nunca vão se encaixar). Enquanto você não aceita seu vazio, você procura a fantasia das peças se encaixando, da superfície plana, da vida sem cicatrizes, das mãos não calejadas, do sangue que não preenche a banheira. 

Você é a pessoa favorita de alguém?

O quão certo você está disso?

O quanto você pretende existir após o choque frio violento com a realidade?

posted 1 week ago with 1 note

maggie and milly and molly and may

went down to the beach(to play one day)

and maggie discovered a shell that sang

so sweetly she couldn’t remember her troubles,

and milly befriended a stranded star

whose rays five languid fingers were;

and molly was chased by a horrible thing

which raced sideways while blowing bubbles:

and may came home with a smooth round stone

as small as a world and as large as alone.

For whatever we lose(like a you or a me)

it’s always ourselves we find in the sea

- E. E. Cummings

posted 2 weeks ago

mais um ensaio sobre aquários, com a participação de paloma

havia uma previsão de não vida, datada para um ano. os dias se passaram, preenchidos com todos os desenhos de meus anseios. via o vidro do aquário se fechando e me sufocando a cada dia. eu não havia sido feita para o mundo adulto. 

do dia dos meus 12/21 eu me mataria.

e o ponto virou ponto de interrogação. 

posted 1 month ago with 1 note

tickling noise

O som constante, rítmico, persistente, quase onipresente.

Tento sobrepor com as camadas de som da vida. Me ocupo sempre em todos os níveis para que eu não ouça o som que me acompanhada sempre no fundo.

Um irritante tic tac.

Às vezes eu penso que é uma contagem regressiva. Tento afastar esse pensamento, mas o tic tac acompanha os segundos de insônia e as longas horas de paranóia.

Ou pode ser só a passagem do tempo (que por si só já é um prelúdio de morte).

Seja qual forem as unidades de tempo dessa contagem, o que me perturba é que há algo sendo medido.

A cada instante.

posted 2 months ago

querida a.h.

Escrevo-lhe essa carta com necessidade e voracidade, que peço que perdoe os borrões que a minha escrita canhota sempre trás. Nunca fui acostumada às cartas. Antes, quando tinha uma nas mãos, abri-la era desarmar uma bomba. Pois uma carta aberta passa dia e noite ansiando por uma resposta, e como minhas respostas eram curtas e monótonas, não podia correr o risco de abrir um objeto tão perigoso. Quem abriu um pouco de luz e me fez ver que uma resposta curta ainda era valiosa foi você com os seus bilhetes quase telegráficos. Esperava cada dia ansiosamente pelos bilhetes que era cuidadosamente inseridos no vão que ficava na parte inferior da janela. Agora, aqueles dias de verão que nunca acabavam, seja por causa do tédio, seja por causa das milhões de aventuras que tivemos, chegaram a um ponto final. Estou a várias milhas de distância e meu coração deseja saber que ainda posso encontrá-la em algum lugar. Sinto terrivelmente a sua falta. 

Você sabe onde me encontrar agora,

V.S.

posted 2 months ago

origami

fechava as mãos

e sentia os dedos dobrarem-se 

com a intensidade que ninguém sentiria

fechava os olhos

e via as pálpebras desdobrarem-se

e via a escuridão que ninguém veria

respirava fundo

sentindo os pulmões encherem-se de ar

como as dobraduras de balão que fazia

respirou ainda mais fundo

antes de abrir as duas cicatrizes 

e mergulhar (desdobrando-se) na água

posted 3 months ago

"It’s much easier to not know things sometimes. Things change and friends leave. And life doesn’t stop for anybody. I wanted to laugh. Or maybe get mad. Or maybe shrug at how strange everybody was, especially me. I think the idea is that every person has to live for his or her own life and than make the choice to share it with other people. You can’t just sit their and put everybody’s lives ahead of yours and think that counts as love. You just can’t. You have to do things. I’m going to do what I want to do. I’m going to be who I really am. And I’m going to figure out what that is. And we could all sit around and wonder and feel bad about each other and blame a lot of people for what they did or didn’t do or what they didn’t know. I don’t know. I guess there could always be someone to blame. It’s just different. Maybe it’s good to put things in perspective, but sometimes, I think that the only perspective is to really be there. Because it’s okay to feel things. I was really there. And that was enough to make me feel infinite. I feel infinite."
The Perks of Being a Wallflower, Stephen Chbosky.
posted 3 months ago

Re: Tegami

Querida eu do passado,

Eu não sei se esta já era a hora de responder à sua adorável carta, mas imersa nos textos do meu passado, tentando descobrir quem eu era, encontrei o texto e me senti compelida a emitir uma resposta. E depois mais outra e mais outra, assim sucessivamente no futuro para poder lembrar quem eu fui e quem eu sou.

A maneira como escreve é doce e única, de uma maneira que a minha existência calejada não consegue reproduzir mais. Acontece este tipo de coisa, a gente cresce e alguma parte do universo infinito de coisas morre dentro da gente. Porque crescer é ir morrendo aos poucos. Mas também é ir vivendo, afinal. 

Fui pega de surpresa por todas as perguntas feitas. E pelo apoio. Estava me encarando de forma pessimista até o momento e não tinha percebido que a coisa mais valiosa que fiz até aqui foi continuar seguindo em frente. Só eu e você (que sou eu mesma) sabemos o quanto é valioso o ato de viver. Quando as pessoas respondem “tô indo” quando as pergunto se estão bem, não posso deixar de rir pelo fato de que tenho que me lembrar de “ir” todos os dias. E muitas coisas além da minha vontade agora me fazem seguir este caminho. Sinto, cada vez mais, que estou mais distante de uma desistência. 

E no fim, no fim, vestibular era o menor dos problemas, eu do passado. Fica a dica. 

E sim, as coisas ainda doem e são muito maiores do que uma bobagem. Mas faz parte de ser humano. As coisas doem. As juntas doem. Se você ficar muito tempo sem óculos começa a ficar com dor de cabeça. Ser humana, respirar e estar viva dói. E isso é (conflitos internos para escrever) a melhor e pior coisa de ser humano ao mesmo tempo. Afinal, a não dor só é incrível por não ser dor. Ainda trabalhando na questão das distrações. 

As idéias somem, se reconstroem, morrem e renascem em um ritmo frenético na minha mente. E foi assim com todas as “idéias” das quais você possa estar falando. Inclusive, amor. Porque amor é uma ideação, então é normal que as concepções e aspirações sobre este mudem. E devo dizer: estou na véspera (espero) de sair do armário, fique tranquila eu do passado hahaha 

Sobre cabelo: por que diabo eu ia deixar de ter cabelo colorido? É tipo ter uma tela em você mesmo que você pode trocar quando enjoar. E fazer coisas incríveis. E estragar. E cortar, e deixar crescer, e sonhar com uma cor, ela dar errado, mas ficar legal mesmo assim. 

Futuro profissional: escolhi Design, entrei na Júnior e foi a melhor coisa na minha vida até então. Quem diria, srta. eu do passado que tinha medo até de estagiar porque tinha que emitir boletos, que eu ia cuidar de toda a parte financeira. Que loucura, cara! Mas a melhor loucura do mundo.

Agora, devo deixar aqui minhas perguntas para a Yanne um pouquinho mais distante que agora, de forma resumida: Intercâmbio, deu boa? Saiu do armário? (diz que sim, porque por favor né, chega) Tudo o que ainda dói, é mais fácil de se lidar? Onde estão os seus amigos agora? Você está feliz com o momento da vida em que se encontra? 

E, de novo, a melhor coisa é seguir em frente. Obrigada por existir, futuro.

O “eu” de um passado menos distante, não tão adulta assim à beira de seus 21 anos. 

posted 3 months ago with 3 notes

fishbowl

Há talvez um ou vários momentos em sua vida em que você se vê sem possibilidades de caminhos a seguir. As restrições começaram muito antes. “Você não pode fazer isso”, “Isso não é certo”, “Isso não é coisa de menina”, “Você não precisa desse tipo de coisa”, “Você apenas quer atenção”, e muitas outras frases que se aplicam melhor à sua própria vida do que a da autora. Pouco a pouco, você vê as paredes invisíveis se formando ao seu redor. E, no momento em que percebe que não há mais como fugir do aquário, você percebe que já se machucou o suficiente. Aceitação. “A vida é assim mesmo”. Ou, negação: “Eu crio o meu próprio mundo”. E pela negação da realidade, pela imersão em mundos que não existem, pela sua constante criação de mundos onde você não está no aquário, você percebe que está se afogando nas suas próprias mentiras. Você está sufocando agora porque, pelo medo do que acontece além do aquário, você criou as fantasias nas quais não pode viver. E agora, elas estão tão enraizadas em você que é difícil dar qualquer fim a elas do que a agonizante morte do tornar-se adulto. 

posted 3 months ago with 1 note

"In our world, that’s the way you live your grown-up life: you must constantly rebuild your identity as an adult, the way it’s been put together is wobbly, ephemeral, and fragile, it cloaks despair and, when you’re alone in front of the mirror, it tells you the lies you need to believe."
The Elegance of the Hedgehog, Muriel Barbery
posted 3 months ago

fascinação

veio de surpresa

ou tão surpresa quanto pode ser a longa espera 

foi a maré quem a trouxera

em um pôr-do-sol quente

daquelas onde a respiração se enrola em nós mesmos

e nos falta fôlego para ver as coisas

e mesmo assim eu vi, dentre todas as poesias

encontrei aquela em que o coração doía

porque a cada batia

eu sentia aquela batida que escapava

e sabia que era porque a poesia não me falava

se um dia você viria mesmo a ser minha 

(meu único desejo é enlaçá-la em outro pôr-do-sol e te mostrar todas as cores do céu infinito)

posted 3 months ago with 1 note

Liberdade

Muito tempo após ainda procuro o real significado do meu nome. Tentei defini-la como a não-existência dos limites, mas a própria existência é limitante. Para isso, voltamos  ao mergulho. A fixação pelo mar e pela falsa liberdade prometida. E vamos ao inverso dele: o vôo. Abrindo as minhas asas feridas, voei por sobre o mar e vi o quando ele se parecia com a terra firme. Porque nele eu ainda senti a maior das prisões: o espaço do meu próprio corpo.

Eu estava limitada pelos próprios contornos da minha existência e não havia nada que eu pudesse fazer. Não havia mergulho que fosse estender a minha essência para o movimento do vai-e-vem das ondas, por mais que eu as sentisse tomando conta de mim. Eu era limitada por existir e isso me perturbava pela escolha infeliz de nome. Porque com ele eu agarrei toda a minha esperança de que algo grande estava reservado para mim. Mas nada nunca seria grande, não o suficiente, porque para sentir a grandiosidade eu estava presa às sensações na minha pele, à luz entrando pelos meus olhos, aos sons se espalhando no ar. 

Do meu vôo, mergulhei até tocar o fundo do oceano e lá permaneci. Sentia o peso inteiro em cima de meus ombros. Via a visão se fechando, desaparecendo na periferia. Guardava em mim um anseio e uma vontade, porque sabia que a única maneira de me tornar realmente liberdade era não a sendo. 

Permaneci mais algum tempo no paradoxo. 

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"Crazy isn’t being broken, or swallowing a dark secret. It’s you, or me, amplified. If you ever told a lie, and enjoyed it. If you ever wished you could be a child, forever. They were not perfect, but they were my friends. And by the 70s, most of them were out, living lives. Some I’ve seen. Some never again. But there isn’t a day my heart doesn’t find them."
— Susanna - Girl, Interrumpted
posted 3 months ago

passo-a-passo de uma existência sem forma

1. destrua esse diário com tanta ou mais voracidade do que a que você usaria para rasgar as páginas do seu diário

2. arrependa-se e tente em vão reconectar as lembranças e mensagens guardadas para si mesma

3. perdoe o seu passado e leve-o pra onde você for

4. repita

posted 3 months ago with 1 note